Nos últimos meses, uma tendência silenciosa, mas crescente, tem preocupado psicólogos: o uso de inteligências artificiais, como o ChatGPT, como substitutos das sessões de terapia. Ferramentas tecnológicas oferecem respostas imediatas e gratuitas, mas o impacto disso na saúde mental de quem busca apoio vai muito além do que se imagina e não substitui a terapia.
Na contramão dessa nova prática, clínicas como o Espaço Clínico Ápice, localizada R. Maranhão, 1258, em São Caetano do Sul, têm notado uma diminuição na procura por acompanhamento psicológico. “Muita gente está trocando a escuta terapêutica por diálogos com inteligência artificial. Isso pode ser perigoso, porque a IA não tem o olhar humano, nem a experiência clínica necessária para entender a profundidade emocional das questões apresentadas, muito menos situações delicadas, como traumas, crises de ansiedade, transtornos mentais graves ou conflitos emocionais complexos”, afirma Angeline Uenoyama, terapeuta e fundadora da clínica.

Um “ouvinte” disponível o tempo todo
É inegável que conversar com IA pode trazer certo alívio momentâneo. O ChatGPT, por exemplo, oferece conselhos articulados e perguntas reflexivas, o que pode simular um diálogo terapêutico. Relatos nas redes sociais mostram pessoas que trocaram psicólogos pela IA por acharem o chatbot “mais direto” e “sem julgamento”. A facilidade de acesso, o custo zero e o atendimento 24h são fatores que colaboram com esse cenário.
Porém, Angeline Uenoyama alerta que esse conforto é ilusório. “A IA pode fornecer respostas genéricas ou até perigosas, especialmente em momentos de crise. Ela não identifica traumas, não entende sintomas sutis e não cria vínculo.”
O perigo da automedicação emocional sem terapia
Buscar respostas rápidas para sentimentos profundos pode criar uma falsa sensação de que o problema foi resolvido. “Muitos pacientes chegam para nós depois de meses tentando se ajudar com a IA. Quando percebem que não deu certo, o sofrimento já se intensificou”, relata Angeline Uenoyama.
Esse comportamento, chamado por especialistas de “automedicação emocional digital”, mascara questões que exigem intervenção humana e empática.

IA pode ser aliada, mas não substituta da terapia
A inteligência artificial pode ter um papel complementar – como ajudar no registro de emoções ou servir de apoio entre sessões. “Mas substituir o processo terapêutico? Jamais. A escuta clínica é insubstituível. Terapia é vínculo, empatia e transformação verdadeira”, conclui Angeline.
Quer saber mais na palma da sua mão?









