A afirmação é direta, incômoda e, talvez por isso, tenha viralizado nas redes sociais nos últimos dias: “Você só vê defeito no outro? O problema é você!”. O pensamento foi compartilhado pela psicanalista, filósofa e neurocientista Andréa Vermont, durante uma entrevista sincera e poderosa no Podcast 3 Irmãos. E não, ela não falava de ninguém em especial — falava de todos nós.

Uma história real que revela um padrão psicológico
Durante a conversa, Andréa compartilhou um episódio marcante de sua infância, envolvendo os próprios pais. Sua mãe havia ido comungar durante a missa e demorou um pouco mais que o habitual. Bastou isso para o pai dela insinuar, de forma sarcástica e controladora, que havia algo entre ela e o padre. “Combinou com o padre já, né? O horário que vocês vão se encontrar”, teria dito ele.
O contexto era ainda mais cruel: o pai traía a mãe constantemente, mas projetava nela a infidelidade que era, na verdade, dele. Para Vermont, esse comportamento é um exemplo clássico de projeção emocional, quando alguém transfere para o outro aquilo que não consegue reconhecer (ou lidar) em si.

A projeção emocional dos defeitos
O ponto alto da fala de Andréa — que ressoou como um soco elegante — foi quando ela destacou que a maneira como enxergamos o outro diz mais sobre quem somos do que sobre quem o outro realmente é. “A partir das suas misérias, você fica me medindo?”, indagou ela, sem rodeios. E foi além: quem insiste em apontar falhas e defeitos o tempo todo, revela muito mais suas próprias feridas do que as falhas do outro.
Em outras palavras, quanto mais escura sua lente, mais sombria será a imagem que você vê nos outros.
Só enxerga luz quem carrega luz
Durante a mesma conversa, Vermont fez uma analogia elegante com o amor e a admiração. Quando alguém diz a ela “Andréa, você é tão boa”, ela responde com gratidão, mas devolve com uma reflexão: “A qualidade está em você de conseguir me reconhecer. Só gente muito nobre vê qualidade nos outros.” O que ela propõe, no fundo, é um espelho emocional: o que vemos no outro, quase sempre, é um reflexo do que temos dentro de nós.
Essa perspectiva rompe com discursos prontos e fórmulas rasas sobre relacionamentos. Em vez de buscar o erro no outro — o famoso “culpado” —, Andréa nos convida a fazer uma auto investigação honesta. O que me irrita tanto? Por que vejo isso? É mesmo sobre o outro ou é sobre mim?

Relações como espelhos
A fala de Vermont serve como alerta — e também como alívio. Se passamos a vida procurando no outro os defeitos que tememos em nós, talvez a resposta não esteja em controlar o comportamento alheio, mas em revisitar nossas próprias sombras. E, nas palavras dela, “o homem é o homem e suas circunstâncias”. Ninguém é uma ilha, mas também ninguém é refém eterno de suas dores. Há sempre espaço para revisão, para entendimento e, quem sabe, para leveza.
Por que o discurso da psicanalista viralizou?
Porque toca onde dói. Fala de algo que é comum, mas pouco admitido: o desconforto de se ver no outro. Andréa Vermont não viralizou apenas porque é uma figura de autoridade com títulos e conhecimento. Ela viralizou porque falou como gente, com histórias reais, com falas que se parecem com as da nossa mãe, da nossa avó, do nosso parceiro. Porque nomeou um comportamento que todos nós já sentimos — ou causamos.
E, talvez, porque nos lembrou que amar também é olhar com os próprios óculos limpos. Quando o olhar está em paz, o outro deixa de parecer um inimigo. Clique aqui para assistir o trecho da entrevista.

Do acolhimento à transformação
Com essa ideia em mente, é impossível não destacar o trabalho do Espaço Clínico Ápice (R. Maranhão, 1258 – Santa Paula), em São Caetano do Sul. Sob a liderança da psicóloga Angeline Uenoyama, a clínica atua há mais de 15 anos com uma abordagem humanizada e interdisciplinar, reunindo profissionais de áreas como Psicologia, Psiquiatria, Fonoaudiologia, Nutrição, Musicoterapia e até Terapia Assistida por Animais.
Mais do que oferecer consultas, o Ápice promove reconexões com a própria história — algo essencial para quem deseja viver relacionamentos mais saudáveis e conscientes. Seja em atendimentos presenciais ou online, o espaço se propõe a ser um ponto de equilíbrio e recomeço, um lugar onde o foco é acolher e fortalecer.

Quer saber mais na palma da sua mão?









